segunda-feira, 1 de outubro de 2012

QUEM SOU EU?



Sou um ser humano,

vivendo e aprendendo,

sou uma criança,

sou uma mulher,

Afinal quem sou eu?

Só o tempo dirá

quem realmente sou

MUDE SEMPRE


Comece devagar, 
porque a direção é mais importante 
que a velocidade. 
Sente-se em outra cadeira, 
no outro lado da mesa. 
Mais tarde, mude de mesa. 
Quando sair, 
procure andar pelo outro lado da rua. 
Depois, mude de caminho, 
ande por outras ruas, 
calmamente, 
observando com atenção 
os lugares por onde 
você passa. 
Tome outros ônibus. 
Mude por uns tempos o estilo das roupas. 
Dê os teus sapatos velhos. 
Procure andar descalço alguns dias. 
Tire uma tarde inteira 
para passear livremente na praia, 
ou no parque, 
e ouvir o canto dos passarinhos. 
Veja o mundo de outras perspectivas. 
Abra e feche as gavetas 
e portas com a mão esquerda. 
Durma no outro lado da cama… 
depois, procure dormir em outras camas. 
Assista a outros programas de tv, 
compre outros jornais… 
leia outros livros, 
Viva outros romances. 
Não faça do hábito um estilo de vida. 
Ame a novidade. 
Durma mais tarde. 
Durma mais cedo. 
Aprenda uma palavra nova por dia 
numa outra língua. 
Corrija a postura. 
Coma um pouco menos, 
escolha comidas diferentes, 
novos temperos, novas cores, 
novas delícias. 
Tente o novo todo dia. 
o novo lado, 
o novo método, 
o novo sabor, 
o novo jeito, 
o novo prazer, 
o novo amor. 
a nova vida. 
Mude. 
Lembre-se de que a Vida é uma só. 
Arrume um outro emprego, 
uma nova ocupação, 
um trabalho mais light, 
mais prazeroso, 
mais digno, 
mais humano. 
Se você não encontrar razões para ser livre, 
invente-as.

Seja criativo. 
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, 
longa, se possível sem destino. 
Experimente coisas novas. 
Troque novamente. 
Mude, de novo. 
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores 
e coisas piores, 
mas não é isso o que importa. 
O mais importante é a mudança, 
o movimento, 
o dinamismo, 
a energia. 
Só o que está morto não muda
.

domingo, 30 de setembro de 2012

Rifa-se



Clarice Lispector.



 Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...". Um idealista... Um verdadeiro sonhador... Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: " O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer". Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta.